Um projeto inovador em Ribeirão Preto está transformando vidas ao permitir que 18 idosos da Casa Santa Dulce, em situação de rua, escrevam suas próprias histórias. A iniciativa, resultado da colaboração entre o Observatório do Livro e o Conselho Municipal do Idoso, já está em seu terceiro ano e, impressionantemente, promoveu a leitura de quase 400 livros.
Oficinas de Leitura e Reflexão
Durante as oficinas, os participantes têm a chance de explorar uma variedade de textos, o que gera conversas ricas sobre as narrativas e provoca reflexões profundas sobre suas vivências pessoais. Esse trabalho culminou na publicação da segunda edição do livro “Calçadas da Memória”, que foi lançado em uma cerimônia emocionante com a presença dos idosos que contribuíram para a obra.
Desvendando Histórias de Vida
A diretora do Observatório do Livro, Luciana Pascoalim, explica que as oficinas oferecem um espaço seguro para que os idosos examinem os fatores que os levaram à situação de rua. Os relatos são impactantes e incluem desafios como problemas familiares, dependência química e desilusões ao longo da vida.
Mais que Literatura: Acolhimento e Dignidade
Além da criação literária, o projeto busca proporcionar acolhimento e resgatar a dignidade dos participantes. Francisco Ferreira Neto, presidente da Comunidade Divina Misericórdia, que gerencia a Casa Santa Dulce, destaca que os idosos esperam ansiosamente pelas atividades e se envolvem ativamente nas rodas de conversa e nas leituras.
Uma Nova Descoberta
Rivaldo Gama Tenório, de 69 anos, é um exemplo inspirador. Morando em Ribeirão Preto há 20 anos, ele estudou até o sétimo ano do ensino fundamental e nunca havia escrito um livro antes do projeto. Agora, ele não apenas tem uma obra publicada com sua história, mas também teve a oportunidade de autografá-la.
O Impacto da Leitura
Luciana Pascoalim enfatiza que a conexão com a literatura permite que os participantes comparem as histórias que leem com suas próprias experiências, além de estimular o desenvolvimento cognitivo. Muitas vezes, os idosos tiveram pouco contato com a educação formal ou abandonaram os estudos precocemente.
A diretora acredita que a interação com os livros pode revitalizar o interesse por outras atividades e restaurar a relação dos idosos com a leitura. O projeto não só registra as memórias dos participantes, mas também cria um ambiente propício para a troca de experiências e reflexões sobre suas trajetórias.
Ao final desse ciclo de atividades, os idosos não apenas completaram a leitura de quase 400 livros, mas também deixaram um legado: suas histórias agora estão registradas e publicadas, eternizando suas vivências em um livro.







